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Prescrição e descrição linguística: dois mundos, duas órbitas

texto descritivo da imagem

1. É abundante a bibliografia sobre norma e uso no âmbito dos estudos linguísticos. Várias obras e artigos de divulgação sobre este tema, de extensão e validade variáveis, são facilmente acessíveis.

Destacamos hoje um artigo de imprensa, da linguista Clarisse Assalim (Centro Universitário da Fundação Santo André), motivado ainda pelo rescaldo da polémica em torno da edição, no Brasil, do manual escolar Por Uma Vida Melhor. A clareza, a brevidade e a incisividade justificam-no: «Você já ouviu um biólogo dizer que uma maçã está errada, ou um astrônomo dizer que o sol não existe? (...) O mesmo se dá com os fatos linguísticos. "Nóis pega o pexe" é um fato, goste dele ou não. Como qualquer cientista, um linguista jamais dirá que um fato é errado ou feio.»

Tanto prescrever o que deve ser dito como descrever o que de facto se diz são acções necessárias. O grande erro está em não ter em mente a distinção absoluta entre essas as duas práticas: uma é reguladora e institucional, a outra é científica.

Divulgamos, a propósito, dois eventos de relevo em investigação linguística:

• no dia 15 de Junho decorrerá, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, mais um encontro Quid Novi?, que reunirá todos os linguistas doutorados nos anos 2010 e 2011 (o programa encontra-se aqui);

• na semana de 25 a 29 de Julho de 2011, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, terá lugar 38.º Congresso Mundial de Linguística Sistémico-Funcional (o programa preliminar pode ser consultado aqui).

SoutoMoura2. Não se pode deixar de assinalar que foi em português que o arquitecto Eduardo Souto Moura se fez ouvir, ao receber em Washington o Prémio Pritzker de 2011, numa cerimónia que contou também com uma intervenção do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O discurso de Souto Moura pode ser lido aqui.

3. No Pelourinho, Paulo J. S. Barata aponta um caso de confusão entre vêm, 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo vir, com veem, 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo do verbo ver (forma que, em conformidade com o Acordo Ortográfico de 1990, substitui vêem).

4. No programa Cuidado com a Língua!*, do dia 6 de Junho, na RTP 1, por volta das 21h05**, a actriz Cláudia Gomes contracena com Diogo Infante, numa banca de fruta, no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Ela como vendedora, e ele como freguês, à volta das curiosidades, provérbios e histórias à volta dos frutos. Por exemplo, a que associa a maçã ao herói lendário Guilherme Tell. E o  que quer dizer (em Angola) «ficar a chupar tamarindo»? Tempo, ainda, para se falar das novas regras do uso do hífen.

* Com repetição nos demais quatro canais da televisão pública portuguesa, ficando ainda disponível na página da RTP na Internet, no sistema podcast.

** Hora oficial de Portugal continental.

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa :: 03/06/2011

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