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Shutdown, um anglicismo perfeitamente evitável

Nas notícias sobre o chamado «(US government) shutdown», no contexto do diferendo entre o presidente dos Estados Unidos,  Barack Obama, e a maioria republicana da Câmara (ou Casa) dos Representantes, seria conveniente que a comunicação social de expressão oficial portuguesa evitasse o anglicismo e convergisse no uso de termo equivalente na nossa língua. Há todo um leque de possibilidades: desligamento, fechamento, fecho, corte, paralisação e, até, o bem expressivo apagão. E há, ainda,  encerramento ou suspensão, subentendendo «da administração pública» ou «dos serviços públicos» ou ainda, como faz o semanário português Expresso, «de serviços públicos federais não essenciais». Em Espanha, a Fundéu (Fundación del Español Urgente)  recomenda, como alternativa a shutdown,  a expressão cierre (de la Administración federal), ou seja, «encerramento da administração federal», ao mesmo tempo que admite, para evitar repetições vocabulares, as expressões «suspensión, parada o cese (de las actividades de la Administración)», o mesmo que, respetivamente, suspensão, paragem (ou paralisação) e cessação – subentende-se das atividades da administração (em português, não se vê razão para exigir a maiúscula inicial obrigatória em administração). Considerando que uma língua próxima do português como o espanhol é uma boa fonte de exemplos de práticas de vernaculização e que encerramento e suspensão possuem um apreciável grau de coincidência morfológica e semântica com as mencionadas palavras espanholas, perfilam-se estes substantivos, para já, como alternativas ao escusado anglicismo.


O consultório recebe, neste dia, atualizações acerca dos seguintes temas:

– a existência do adjetivo saciante;

– a divisão silábica da palavra carrossel;

– o quantificador relativo quantos;

– a pronúncia dos verbos nascer e morrer;

– problemas de pontuação de orações gerundivas em construções de foco.

Na rubrica O Nosso Idioma, o professor Edno Pimentel, na sua crónica Professor Ferrão no semanário angolano Nova Gazeta, comenta o uso indevido de uma vogal adicional na palavra beneficência. No Pelourinho, a respeito de uma crónica sobre o "apagão"1 de parte dos serviços públicos dos Estados Unidos, Paulo J. S. Barata lembra que a forma de 3.ª pessoa do plural do futuro do indicativo termina sempre em -ão (cantarão, comerão ou dirão).

E a propósito da atribuição dos Prémios Nobel de 2013 da Física, da Química, da Medicina, da Literatura, da Paz, etc. —, e do que, menos rigorosamente se voltou a ouvir na rádio e na televisão portuguesas, releia-se uma resposta em arquivo sobre a pronúncia do nome Nobel e a possibilidade de o pluralizar.


O programa Língua de Todos de sexta-feira, 11 de outubro (às 13h45*, na RDP África; com repetição no sábado, 12 de outubro, depois do noticiário das 9h00), aborda a importância económica da língua portuguesa no mundo numa entrevista com o professor Guilherme de Oliveira Martins. No Páginas de Português de domingo, 13 de outubro (às 17h00*, na Antena 2), em foco está o lançamento do Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, elaborado pelo arabista português Adalberto Alves; inclui-se ainda a rubrica Ciberdúvidas Responde, da autoria de Sandra Duarte Tavares.

* Hora de Portugal continental


Por razões já anteriormente explicitadas, agravaram-se as condições de sustentabilidade deste projeto sem fins lucrativos consagrado à promoção da língua portuguesa. Daí o reiterado apelo  que fazemos no SOS Ciberdúvidas. Ou, ainda, no  botão «Faça aqui o seu donativo» (nesta página, em cima, à direita). Os nossos agradecimentos pela generosidade.

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa :: 11/10/2013

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