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A moçambicana nomeada para a liderança do IILP

Conforme se deu notícia, com a saída de Gilvan Müller de Oliveira em outubro de 2014, após quatro anos de mandato, a direção do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) acolhe uma nova responsável para o biénio de 2014/2016. Trata-se de Marisa Guião de Mendonça (na imagem, ao lado de Gilvan Müller de Oliveira), doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), membro da comissão moçambicana do IILP e diretora da Escola Superior de Contabilidade e Gestão da Universidade Pedagógica de Moçambique (ler ponto 11, alínea XI da declaração final da cimeira de Díli). Por indicação da República de Moçambique, Marisa Mendonça foi eleita para a gestão do IILP durante a X Conferência dos Chefes de Estado e de Governo (CCEG) da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada em Díli, entre 18 e 23 de julho. Refira-se ainda que, para o cargo de presidente do conselho científico do IILP, foi eleito o escritor e investigador Raul Calane da Silva, na IX Reunião Ordinária do Conselho Científico do IILP, ocorrida na cidade da Praia, nos dias 12 e 13 de maio de 2014.

Recordamos que na declaração final da cimeira de Díli ficaram expressos o reconhecimento e a recomendação oficiais do Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (VOC) e dos vocabulários ortográficos nacionais que o integram. Neste contexto, importa assinalar que passam a ficar indisponíveis as versões experimentais destes recursos, de modo a permitir concluir a primeira versão oficial até ao final de 2014. É ainda de salientar a importância atribuída na mesma declaração à disponibilização, por parte de Angola, de meios financeiros e materiais para o projeto de promoção e difusão da língua portuguesa no espaço da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (mais conhecida pela sua denominação em inglês, Southern Africa Development Community, ou abreviadamente SADC) – «o que levará à [sua] execução em Gaborone, na sede do secretariado executivo desta organização regional, em Pretória, na África do Sul, e em Windhoek, na Namíbia».


 A propósito de amores e desamores, Edno Pimentel lembra que o verbo gostar se usa sempre com a preposição de antes de expressão nominal, pronome pessoal ou infinitivo («gostar de chocolate/ti/namorar»), numa crónica divulgada em O Nosso Idioma. No Pelourinho, Wilton Fonseca mostra que, nas redes sociais, os erros ortográficos arriscam uma projeção mediática indesejada1. No consultório, apesar da sua interrupção até setembro, continuam a ser apresentadas algumas questões que aguardavam discussão: qual é a origem do topónimo Alcácer? Estrofe é um substantivo coletivo? Prorrogação e prorrogamento – qual o vocábulo mais correto? Como sempre, mantém-se acessível todo o arquivo de mais de 30 mil respostas do Ciberdúvidas (consultar pelo motor de busca).

1 Muito comentado nas redes sociais tem sido também o uso do adjetivo resiliente e do substantivo incidência em declarações do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho no contexto da cimeira de Díli:  (i) «E seria, penso eu, muito negativo que Portugal permanecesse de forma resiliente opondo-se a esse alargamento [da CPLP, com a entrada de pleno direito da Guiná Equatorial].» (Público, 22/07/2014); (ii) «O Presidente da República e o primeiro-ministro declararam hoje que foram "surpreendidos" pelo anúncio antecipado da adesão da Guiné Equatorial à CPLP e que desvalorizaram essa "incidência protocolar" em nome do sucesso da Cimeira de Díli.» (Diário Económico, 23/07/2014). No primeiro caso, depreende-se que Passos Coelho quisesse dizer «forma obstinada» ou «de maneira firme», mas ao usar resiliente, que significa tradicionalmente  «elástico», «flexível», terá discutivelmente optado por uma outra aceção, refletindo a influência semântica do inglês resilient: «resistente (moralmente)», «obstinado». Já no segundo caso – trata-se do lead de uma notícia do Diário Económico –, ao contrário do que se tem dito, é duvidoso que se produza um erro, porque incidência pode ser usado como sinónimo de ocorrência e acontecimento. Além disso, na mesma notícia, a expressão «incidência protocolar» também é empregada com adequação – como sinónimo de impacto e influência –, quando se transcreve o discurso direto de Passos Coelho: «O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, subscreveu as palavras do Presidente da República, acrescentando (mantém-se a ortografia original): "Creio que não há nenhuma necessidade de estar a hipervalorizar um aspecto de incidência protocolar [= com impacto protocolar ou com impacto  no protocolo].»


 Assinalamos com tristeza o desaparecimento de duas figuras marcantes da cena intelectual e literária do Brasil: Rubem Alves (1930-2014) psicanalista, teólogo e escritor, e Ariano Suassuna (1926-2014), o autor do conhecido Auto da Compadecida, escrito em 1955.


No programa Língua de Todos de sexta-feira, 18 de julho (às 13h15* na RDP África; com repetição ao sábado, depois do noticiário das 9h00*), a linguista Margarita Correia fala sobre o Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, apresentado na cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Díli em 23/07/2014; e, na rubrica Ciberdúvidas Responde, Sandra Duarte Tavares esclarece questões diversas sobre norma e uso linguísticos. No programa Páginas de Português de domingo, 20 de julho (às 17h00*, na Antena 2), entrevista-se o professor João Veloso, coordenador do Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP), sobre a polémica avaliação de centros de investigações feita pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e faz-se a leitura da declaração que a referida entidade emitiu em 11/07/2014 sobre essa avaliação.

* Hora oficial de Portugal continental, ficando disponível via Internet, nos endereços dos programas.


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Com o apelo SOS Ciberdúvidas, procuramos garantir apoio para a continuação deste espaço gracioso e sem fins lucrativos, dedicado à nossa língua comum. Desde já, os nossos agradecimentos pelos contributos que nos forem enviados.

Ciberdúvidas da Língua Portuguesa :: 25/07/2014

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