ciberduvidas Ter dúvidas é saber. Não hesite em nos enviar as suas perguntas. Os nossos especialistas e consultores responder-lhe-ão o mais depressa possível.

[Ensino] - Tecnologias da informação no ensino

O papel do professor no ensino via Internet

Ana Martins*

A utilização das tecnologias da informação no ensino de línguas está a crescer a um ritmo constante nos últimos 10 ou 15 anos. Há cada vez mais aplicações de inserção de dados via Internet, exercícios interativos gerados automaticamente, gráficos dos resultados atingidos pelos alunos e aconselhamento automático (gerado pelo programa de computador) sobre quais os itens que o aprendente deve reforçar, a que se pode acrescentar, ou não, a aprendizagem colaborativa, na comunidade virtual.

Mas, apesar disso, o termo  «ensino online» ou «formação online» – «ensino a distância» ou «formação a distância», como ficou consagrado em  português – nunca foi tão vago.  Há a ideia generalizada de que as novas tecnologias são apenas uma maneira mais atrativa de apresentar aquilo que, afinal, pode ser apresentado num manual em papel, a que se anexe um CD; ou que as tecnologias visam apenas facultar materiais que potenciam uma aprendizagem mais rápida, mais cómoda e mais apelativa. 

A aprendizagem via Internet é muito mais do que isso: a chamada Aprendizagem Assistida por Computador – CALL – Computer Assisted Language Learning ou na Tecnology-Enhanced Learning corresponde ao conjunto variado de sistemas adaptativos e intuitivos de aprendizagem, que integram os chamados “jogos sérios” ou exercícios interativos.

E o que acontece é que este arsenal de programação afeiçoa-se aos mecanismos cognitivos que atuam na aprendizagem de uma segunda língua.

A aprendizagem começa quando há reconhecimento de formas padronizadas a partir de dados orais e escritos e quando há a associação dessas formas a sentidos. E sabemos que a aquisição de representações linguísticas numa segunda língua é afetada pela:

a) frequência em que o aluno vê uma palavra ou uma construção;

b) variedade dos contextos de exposição em que esse mesmo item reaparece;

c) treino repetido e espaçado sobre esse dado item, através da realização de tarefas, de resolução de problemas.

Esta necessidade conceptual de resolver um problema exige então do aprendente despender tempo a refletir e a esforçar-se por se lembrar de um item, o que implica uma elaboração cognitiva que resulta na recuperação consistente de uma palavra, de uma regra, de uma estrutura ou fraseologia, etc.

 

O modelo da Ciberescola

Posto isto, resta perguntar: qual o papel do professor?

Muito resumidamente, veja-se o exemplo da Ciberescola, que, através de protocolos com cinco agrupamentos de escolas, proporciona aulas, com um professor “humano”, por videoconferência a alunos estrangeiros a frequentar o ensino básico, e com recurso a uma base de dados de materiais interativos. O aluno faz os exercícios autonomamente, que estão preparados para poderem ser feitos autonomamente, e o professor está a jusante, ou seja, a ajudar a resolver problemas concretos que os alunos encontram e, claro, a estimular a conversação oral em português.

A Ciberescola conjuga então os modelos de aprendizagem assistida por computador com a aprendizagem assistida por um professor. O papel do professor não é, de modo nenhum, prescindível (nem perecível). O professor tem a seu cargo:

a) a condução de uma conversação;

b) a correção de textos originais dos alunos;

c) o esclarecimento individualizado no momento em que o aluno tem de resolver um problema ou  remediar um erro que faz;

d) a explicitação de estratégias metacognitivas que já estão latentes nos exercícios interativos: como a combinação e comparação seletiva de informação.

Deste modo, o conhecimento declarativo é dado pelo computador, e o professor deixa de ser um “debitador” de regras e de exemplos – porque isso pode ser feito pelo computador  –  e passa a ser um auxiliador especializado na resolução de problemas e um parceiro na conversação regulada. Então, o que temos é não só uma aprendizagem ativa como também um ensino ativo; não é só um aluno ativo, como também um professor ativo.

 

Ler também artigos nas seguintes subsecções:

PLE

Programa de Aprendizagem Colaborativa - 2013/2014

  

16/08/2014

Sobre a autora

* Ana Martins é linguista, consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, responsável da Ciberescola da Língua Portuguesa. Autora de A Textualização da Viagem: Relato vs. Enunciação, Uma Abordagem Enunciativa (2010), Gramática Aplicada - Língua Portuguesa - 3.º Ciclo do Ensino Básico (2011) e de versões adaptadas de clássicos da literatura portuguesa para aprendentes de Português-Língua Estrangeira.

Enviar:

Ensino

Questões relativas ao ensino do português língua materna/língua estrangeira.

Latim a remar contra a maré
Portugal e o latim
Comunicado do Instituto de Avaliação Educativa português
Erros ortográficos devido ao uso da antiga grafia
chegarão no máximo a 0,5 por cento na avaliação do 12.º ano
Que visão sobre o ensino da língua?
Tempo e diversão da escrita em PLE
O papel do professor no ensino via Internet
Como vamos de português… básico?
O britânico que queria libertar Camões
Funções gramaticais
Ciberescola participa na conferência internacional
Português Língua Não Materna no Sistema Educativo

Temas

Acordo Ortográfico

Aprendizagem colaborativa/Tandem Learning

Controvérsias

Enino das línguas clássicas

Ensino das literaturas de língua portuguesa

Ensino de línguas estrangeiras

Exames Nacionais 2008

Exames Nacionais 2009

Jogos e passatempos

Notícias

Notícias em inglês/News in English

Novos Programas

PLE

Tecnologias da informação no ensino

Vídeos



Autores

Abílio Louro de Carvalho

Alina Villalva

Ana Martins

António Barreto

António J. Lavouras Lopes

Baptista-Bastos

Carlos Reis

Catarina Espírito Santo

Elsa Resende

Elsa Rodrigues dos Santos

Evanildo Bechara

Fernando dos Santos Neves

Helena Buescu,José Morais,Maria Regina Rocha,Violante F. Magalhães

Inês Pedrosa

João Vaz

João Costa

Jorge Miranda

Jorge Morais Barbosa

José Manuel Fernandes

Manuel António Pina

Manuel Carvalho

Maria Filomena Mónica

Maria Regina Rocha

Raquel Ribeiro

Renato Borges de Sousa

Rita Ciotta Neves

Rui Tavares

Sónia Valente Rodrigues

Susana Marta Pereira

Vários

Vasco Graça Moura

Wilton Fonseca


Mostra todos

Ciber Escola Ciber Cursos