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«Print Without Saving»: como fica em português?

[Pergunta] Talvez me possam ajudar com uma dúvida grande com que me deparo diariamente na minha função de revisor de traduções:

Quando um texto inglês usa maiúsculas iniciais para realçar um sintagma (ou grupo de palavras) no meio de uma frase, como é que se deve lidar com isso na tradução? Eis um exemplo:

«Do not use Print Without Saving so as not to lose your work.»

Possíveis traduções (em português europeu):

«Não use a opção Imprimir Sem Guardar para não perder o seu trabalho.»

Não use a opção “Imprimir sem guardar” para não perder o seu trabalho.

«Não use a opção <b»

«Não use a opção <i»

«Não use a opção Imprimir sem guardar para não perder o seu trabalho.»

Na minha opinião, a última opção é incorreta porque, devido ao realce de apenas uma única palavra, toda a frase torna-se ambígua, adquirindo um segundo significado que não reflete o significado (único) da frase em inglês. O problema é que os tradutores que usam esse tipo de uso de maiúsculas e minúsculas, justificam essa opção dizendo sempre que “apenas assim é correto em português”. Cito, como exemplo, dum guia de estilo para português de um cliente meu: «Escreve com maiúsculas só a primeira letra da primeira palavra, ao contrário da formatação americana, que exagera no uso de maiúsculas.» Qual a vossa opinião relativamente a este assunto? (Caso queiram ver exemplos deste tipo de uso maiúsculas e minúsculas em sintagmas, sem qualquer outro tipo de realce, podem consultar, por exemplo, a Ajuda do Facebook).

Obrigado.

Fred Lessing :: Tradutor :: Sintra, Portugal

[Resposta] Embora o uso das maiúsculas e das minúsculas tenha regras devidamente estabelecidas tanto na norma de 1945 (pontos 39 a 47 das Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945) como na de 1990 (Base XIX do presente Acordo Ortográfico), trata-se de uma área de alguma liberdade de estilo e gosto, dependentes, como aqui já se observava, de critérios editoriais específicos. É o que de resto se recomenda nas observações da Base IX do AO: «As disposições sobre os usos das minúsculas e maiúsculas não obstam a que obras especializadas observem regras próprias, provindas de códigos ou normalizações específicas (terminologias antropológica, geológica, bibliológica, botânica, zoológica, etc.), promanadas de entidades científicas ou normalizadoras, reconhecidas internacionalmente.»

Dai que, na escrita jornalística, «os nomes de cargos, postos ou dignidades hierárquicas, sejam quais forem os respetivos graus, assim como os vocábulos que designam títulos, qualquer que seja a importância destes», se escrevam, sempre, com inicial minúscula – enquanto noutro tipo de registo (institucional e/ou mais formal), a regra é uso da maiúscula.

Por exemplo: «O primeiro-ministro Passos Coelho», no primeiro caso, «o Primeiro-Ministro Passos Coelho, no segundo; «a procuradora-geral da República», «a Procuradora-Geral da República»; «o papa Francisco», «o Papa Francisco»; etc., etc.

No caso em apreço, por ser claramente do âmbito de «obra especializada» (um manual de instruções informático?), não colhem os argumentos que recusam a utilização das maiúsculas iniciais num conjunto sintático com sentido (técnico) específico. Sem elas ou qualquer outro tipo de realce, perder-se-ia a indispensável clareza informativa, como bem refere o consulente.

Se na tradução portuguesa deve ficar mesmo em maiúsculas iniciais [Imprimir Sem Guardar], como vem no original inglês, ou entre aspas [“”], ou a negrito, ou em versaletes, ou, até, numa cor diferente suscetível de facilitar legibilidade imediata da opção recomendada – como acima fica explanado –, decorre já do gosto e da opção de quem edita a tradução. É para isso que servem os “livros de estilo” de que qualquer publicação deve dotar-se.

José Mário Costa :: 18/05/2015

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